Exportações de arroz até outubro superam 2017 e devem elevar preços

Estado é o maior produtor de arroz irrigado do Brasil

As elevadas exportações de arroz em 2018 devem contribuir para um cenário de melhores preços no ano que vem para o cereal, em uma conjuntura de aumento dos custos de produção na safra 2018/2019.

De janeiro a outubro, os embarques de arroz somaram 1,4 milhão de toneladas, aumento de 60,9% sobre todo o volume embarcado em 2017, quando foram exportadas 870 mil toneladas, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). O Estado é o maior produtor de arroz irrigado do Brasil.

A demanda aquecida é resultado da valorização do dólar ante o real e tem entre os mercados de destaque a Venezuela, que respondeu por 518,1 mil toneladas do total. De acordo com o diretor do Irga, Maurício Fischer, os embarques devem fazer com que os estoques de passagem sejam menores que o habitual. “A expectativa é que isso valorize os preços na entrada da safra”, destaca.A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) estima que o estoque de passagem será de 300 mil a 400 mil toneladas, quando o volume habitual é de um milhão de toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 600 mil toneladas.

“É um fundamento importante e que pode pesar positivamente no preço, mas não é algo que anime o produtor”, afirma o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles. O motivo são os preços do cereal em um cenário de custo de produção elevado. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor da saca de 50 quilos alcançou R$ 42,43 até a última sexta-feira (09) para o produto em casca de tipo 1 posto na indústria. “Esse preço não cobre os custos de produção do produtor e só é viável para quem tem produtividade elevada”, pondera Fischer.Segundo as entidades, o custo aumentou de 15% a 20% na safra 2018/2019 e oscila entre R$ 6,5 mil e R$ 9 mil por hectare. O incremento foi puxado pelo câmbio, especialmente no caso de insumos.

O tabelamento do frete e o gasto com energia também pesaram nas margens do produtor. “Faz tempo que os produtores trabalham no vermelho e, com isso, acabam por reduzir o investimento em insumos e na renovação de máquinas, por exemplo”, acrescenta Fischer. Safra menor Diante desse cenário, a área cultivada vem reduzindo nas últimas safras, também em uma tentativa de equilibrar oferta e demanda. “Orientamos o produtor a diversificar a produção, com culturas como a soja, e reduzir a área de arroz”, diz Dornelles.

Com 80% da área prevista – de 1,007 milhão de hectares – já cultivada, uma queda de 6,5% ante o ciclo anterior, o Irga estima a colheita de 7,5 milhões de toneladas em 2018/2019 ante 8,4 milhões na safra 2017/2018.“Tivemos algumas dificuldades com o excesso de chuvas em setembro, mas até o fim de outubro a situação se normalizou”, destaca. “Acredito que a maior parte da safra será plantada dentro da janela ideal, até o dia 15 deste mês”.Para Dornelles, porém, a área não chegará ao total estimado. “O produtor está descapitalizado e investiu menos em tecnologia. Com barragens a 80% da capacidade, pode faltar água para terminar a lavoura.”

Fonte: Portal do Agronegócio

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